Somente ao Papai Noel




Nós, os cidadãos do Distrito Federal diante de tamanha crise de corrupção caminhando à impunidade chegamos ao ponto de só termos ao papai noel para recorrermos e pedirmos justiça. As imagens, ao contrário do que disse o presidente Lula no começo da crise “de que não falam por si”, gritam, e envolvem os três poderes.

O Judiciário com Desembargadores e o próprio Procurador Geral do Distrito Federal, a quem caberia investigar toda a cinemateca de mais de 160 fitas gravadas pelo rorizista Durval Barbosa, são citados em gravações como beneficiados pelas mesadas pagas pelo DEM.

A Câmara de Deputados Distritais por sua vez, considerada por diversas pesquisas como o parlamento mais corrupto do país, tem dos seus 24 parlamentares 10 flagrados em vídeos e escutas recebendo dinheiro, colocando dinheiro nas meias, cuecas, bolsas e até mesmo rezando oração da propina, agradecendo o bondoso secretário de relações institucionais Durval por tantas dádivas. Dos 24 parlamentares 18 são da base do governo dos DEMO e já demonstraram com a CPI que investigará os últimos 18 anos de Governo do DF (leia-se, uma longa e grande pizza) e com o recesso que aprovaram até 11 de Janeiro, que defenderão o Governo e a impunidade a todo custo.

Já no poder executivo do ainda Governador Arruda e seu Vice Paulo Otávio que são os grandes chefes do crime organizado, Arruda é flagrado no único vídeo que ainda veio a tona recebendo maços de dinheiro e demonstrando o quanto aquele gesto é uma rotina em sua vida, o que justifica o aumento do seu patrimônio em mais de 1.000% em dois anos como Governador. Além do que a cinematografia de Durval revelou e ainda revelará, temos hoje no Distrito Federal uma quadrilha organizada em torno da corrupção da terra, massacrando índios originários e derrubando o cerrado para a construção de mais prédios da construtora do vice-governador, homem mais rico e poderoso do Distrito Federal.

Daí, visto o cenário dos três poderes envolvidos na máfia que assalta cotidianamente o dinheiro público do povo brasiliense, surge vez ou outra a sugestão de que os cidadãos brasilienses peçam socorro à intervenção do Governo Federal do PT, que inaugurou a palavra MENSALÃO lá em 2004 e que reinou na época a impunidade, visto que o Durval do PT, o Marcos Valério e toda a quadrilha que comprava empresários e parlamentares nunca foram punidos. Do mensalão do PT apenas 2 cabeças rolaram, do primeiro ministro na época José Dirceu e do denunciante do esquema, deputado Roberto Jéferson, ninguém foi preso e o “Deus Supremo” – STF cumpriu seu papel histórico de absolver os políticos corruptos. Daí a impossibilidade de se pedir uma intervenção de quem não tem moral nem ética suficiente para tal.

Já a opinião pública que é formada em grande parte pela mídia (o quarto poder), com essa muito menos podemos contar. Os dois maiores jornais da Capital, Correio Braziliense e Jornal de Brasília são e expressam a versão do Governador e Vice, e os grandes meios como a Rede Globo jogam lenha na fogueira constantemente, mas com o motivo estritamente financeiro. Quanto mais crise mais lucro. Mais o governo do GDF tem que gastar com publicidade para reverter a crise, e a prova disso são os anúncios do GDF nos canais de TV, Rádio e Jornais que quadruplicaram para tentar-se arrefecer no imaginário popular toda a corrupção que a capital da republica está mergulhada.

Além da verba publicitária que cresce com o aumento das denuncias, o Governo usa o Diário Oficial para dar gratificação aos policiais militares que há poucos dias atrás reprimiram de maneira desproporcional, com cavalos e muita cacetada, um protesto que pedia a punição de todos os envolvidos. Simbolicamente o governo estimula a perseguição, espionagem e violência em torno dos movimentos sociais e atores envolvidos na luta por moralidade.

Visto todo esse cenário, nós, cidadãos do Distrito Federal só temos ao Papai Noel para recorrer. A corrupção instalada hoje na capital que abraça os atores dos quatro poderes nos deixa sem ter a quem recorrer. O único a se fazer é ir para a luta direta contra a ditadura da democracia, do poder econômico que a tudo compra e corrompe, menos a consciência do povo que trabalha honestamente e quer que esse país mude, a revolta popular. Justiça, o fim de pizzas de panetones.


Diogo Raimundo Ramalho – Estudante de Letras da Universidade de Brasília

1 comentários:

Vinícius Ribeiro disse...

Que charge incrível! Sei que o assunto da postagem é antigo, mas em termos de política, parece não haver anacronismo(sempre a mesma história com personagens diferentes)então não fica diferente falar que o texto é fantástico! Admiro o que você faz Diogo Raimundo Ramalho.

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