Beni – Trinidad - A cidade das motos que náo sabem parar

Saí de Santa Cruz äs 20:30h, quando cheguei ao terminal 4 minutos antes, o senhor que me vendeu a passagem pela manhá, que havia dito para que eu ligasse confirmando as 17h para confirmar de onde saíria e que se saísse teriamos que cruzar o bloqueio na estrada caminhando e tomando outro ónibus depois do trajeto bloqueado, me disse que o bloqueio tinha se levantado havia 30 minutos e que o náo teriamos que trocar de ónibus. Ao meu lado no ónibus foi sentada uma senhora muito boazinha, ela queria saber várias coisas, de onde eu era, o que fazia, onde estavam meus pais, como era o brasil, como era brasilia, ela como todos que conversei até agora foram unanimés, a capital do brasil é sáo paulo, e sempre que digo que venho de brasília, eles perguntam, -- sí, pero donde de brasil? Eu digo, de brasília, mas para os bolivianos e creio que pra maioria do mundo, brasilia é uma cidade desconhecida. A senhora nasceu em trinidad há 84 anos atraz, quando come{camos a conversar a conversa levou a que ela expressasse uma opniáo política, eu arrisquei perguntar o que ela achava do Evo, ela me olhou profundo, pensou quase dizendo, e soltou um mais ou menos, eu perguntei mais ou menos, ela confirmou dizendo sim, mais ou menos, e mudamos de assunto. Preferi assim, esse náo é assunto que se trata no ónibus indo para Trinidad saíndo de Santa Cruz, uma incognita política pra mim além do que eu sabia, prestes a ser um pouco decirfrada.

Depois do lango papo que eu e a senhora tivemos, dormimos o ónibus todo, o ceu estrelado forte. O último dos vários sonhos que tive, foi o que mais lembrei, foi o que mais vivi, e esse tenho que contar resumidamente para entender-se o todo da caminhanda pela miraculosa trinidad.

O sonho foi assim: Resumidamente: estava eu meio que deitado no mato, um mato amarelo de seca mas claro e umido de come{co de manhá. De repente chegou meu amigo malandro Andrés, de motoca vermelha, fui ver pensando feliz por ele ter comprado a Bros que ele planeja, daí logo depois eu vi que era sundown, daí eu disse que n{ao confiava muito, daí ele disse que ia pegar a outra depois, da{i tinha outra moto meio que caída e daí eu vi minha moto meio que j{a entrando num meio buraco e parando, daí ela tava meio que caída e lembrei no próprio sonho da troca de oleo que tenho que fazer quando voltar, daí apontei um problema na corrente meio torta, como se tivesse que trocar várias pe{cas, da{i tinha algumas motos ao redor, e daí logo em seguida acordei pela terceira e definitiva vez, havia agora sim chegado a trinidad.

A senhora acordou junto comigo, como nas duas paradas anteriores ainda noite, nesse momento o sol nascia vermelho resplandecente no horizonte nas costas do [onibus, consegui tirar uma foto e dará pra se ter uma idéia do qu{ao feliz estive sendo recebido na chegada e no come{co do dia por aquela imagem. Mostrei a foto do sol nascente pra senhora, ela adimirou, tirei uma minha e dela, chegamos felizes, nos despedimos, ela disse cuida-te.

Descendo da rodovi{aria caminhei em torno do quarteiróes de frente em busca de um hotelzinho, estavam todos os 2 que perguntei por 30 bolívianos e náo baixavam nada no valor, caminhei mais, logo me impressionei pela quantidade de motos que passavam por mim o tempo todo, caminhei uns 4 quarteir{oes, visualizando as motos, muitas bem velhinhas, lembrava do sonho, logo me espantei com mais um sonho que senti antes o que seria a realidade do dia. Decidi ent{ao parar um tio numa moto com uma plaquinha pequena escrito taxi, quanto até o centro, ele disse, 3 bolivianos, eu disse, náo tem como sair por 2, ele disse náo, fomos por 3. Pelo caminho várias motos, a cidade das motos acordava para seu sábado.
Desci na pra{ca, agradeci o tiozinho ao passeio de moto, o primeiro hotel que encontrei ao lado da pra{ca se chamava Paulista, perguntei qual era o mais barato para uma pessoa só, ele disse 30 pesos, perguntei se n{ao tinha como fazer por 25, ele disse que ao lado tinha um mais economico, que se chamava Brasilia.. Eu disse gracias, fiquei at{e feliz, sa{i pensando, claro, brasilia, paulista o qu{e, risos, quando cheguei no brasilia era os mesmo 30 no mínimo e muito precario, sujeito que me atendeu estranho, voltei mais feliz ainda pro seio paulista.. risos, me quedei no Paulista pelos 30 bolivianos, equivalente a 8 reais, a diária ia das 07 da manhá, a hora que entrei, até o meio dia do domingo, eu partiria a noite, tempo certim.
Deixei minhas coisas no quarto, que logo vi que a porta n{ao trancava, bastava empurrar forte ou abrir pela janela, mas sa{i despreocupado. Caminhei bastante pelas ruas, nunca vi tanta moto na minha vida, pensava caminhando, motos de todas as marcas e tipos, todo mundo tem uma motinha tipo bis, japonesas, chinesas, o transito sem leis, capacete é um negocio que nem se sabe o que é, as motinhas carregam toda a gente, vov[os e vov{os pilotando, com dois a tr[es netinhos na 110 cilindrada, familias de 4 e até cinco pessoas eu via passando nas motinhas, crian{cas de 8 anos em diante guiando, muitas levando os pais, caminhava e me admirava, em alguns momentos me senti dentro dum filme, mágico ver o quanto tinha tanta moto, carro, gente e tudo e nada dava errado, nos dois dias que passei a{i caminhando muito e vendo transito o tempo todo, n{ao vi um s{o acidente, nem minimamente uma batidinha, crian{cas recem nascidas, familias, todo o povo de trinidad tem uma moto.
Depois de caminhar quase 2 horas tomei um caf{e da manh{a no mercado municipal, pastel de queijo que em espanhol se chama empanada de queso com leite em pó e um poquinho dum tody mais fraco. Que ótimo, café da manh{a pra sarar o corpo, caminhada pesada de 5 noites diretas dormindo na estrada. Dalí fui ao hotel paulista, tomei um banho, que alivio, deitei um pouco na cama, meu corpo estava t{ao torto quanto o colch{ao, depois de meia hora acesso, dormi uma hora e acordei pulando da cama pra ir conhecer trinidad.
Caminhei pelo centro das 11 da manhá até as 15h, quando passando pela pra{ca um garoto sentado no banco disse, de donde erés amigo, eu disse brasil, perguntei o mesmo, ele disse do Peru, daí já sentei e come{camos a conversar.

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Pessoas queridas acompanhantes desses causos, infelizmente meu tempo de internet acabou e preciso embarcar para a fronteira da Bol{ivia com o Paraguai e dal{i cortar o pa{is at{e sua capital Assun{cao. Assim que ancorar paro para terminar de escrever o que foram os dois dias em Beni.
Partindo da bol{ivia, primeiro país da viagem, que tem morada eterna no meu cora{cao, povo sagrado que eu respeito, rumo a sentir o Paraguai, um incognita, partindo hoje, aos 25 anos, na poltrona 25, para chegar dia 25.


Desculpem pelos acentos, acento aqui é em outro lugar do teclado e to acostumado a digitar assim a tantos anos e to digitando táo rápido, depois com calma tento consertar os erros.

Besitos,
Diogo


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Voltando:

Daì conheci este amigo Peruano, passamos quase 1 hora aì no banco da praça conversando, ele me contando sua vida, eu contando a minha viagem e vida, daì ele me disse que para alugar uma moto saìa por apenas 12 Bolivianos, em reais, 3 reais e 50 centavos.. Aluguei uma moto, basta deixar um documento, saìmos rodando pela cidade, fui atè a casa do amiguinho na periferia de Trinidad, dalì seguimos rodando na motinha 110 cilindradas de marca HAONDA, sáo vàrias desse tipo em Trinidad, de vàrias marcas chinesas.
Depois de uma hora voltamos e aluguei por mais uma hora outra motinha, essa um pouco mais velha, uma biz que sò funcionava o motor, rodamos mais uma hora pelas ruas da periferia que è 90% da cidade, foi uma experiencia ùnica, de motoquinha eu era mais na multidáo das motos, deixava de ser gringo, pois quem náo è da Bolivia è explicito, os Bolivianos tem sua cara, como todo povo de cada paìs tem a sua, por mais difderenças que existam entre a cor da pele e etc, a cara do povo tà impregnado na alma coletiva.. Fomos tambèm no Lago que teme m Trinidad, um lago grande e bonito, com àguas marrom escuro, naum animei a nada porque jà eram quase 5 da tarde e começava a esfriar..
Depois retornamos, entregamos a motinha, peguei meu documento, fui tomar um banho no hostel paulista, e as 21 horas jà estava na praça central de novo, observando aquela diferente cidade boliviana das motos que náo sabiam parar..
A noite comprei duas garrafas de cachaça, eu e o amigo peruano bebemos, conversamo para danà, fomos a dois pontos das festas, um era uma praça, dezenas de motos iam parando, um ou outro carro parava e colocava um som alto, quanta moto meu deus..
Dalì pegamos uma moto taxi e fomos nòs dois mais o motorista na moto, andar de trës è de boa, vàrias vezes eu vi familias de 5 pessoas em motinhas de 100 cilindradas.. Nos saìu 4 pesos a corrida, cerca de 1 real e 50 centavos.. Fomos a um galpáo enorme rodiado de mesas e no fundo, a uns 4 metros de altura, uma banda tocava musicas bolivianas, quase que sem ser vista de táo alto e distante..
No meio fez-se um corredor onde as pessoas dependendo da mùsica tiravam as outras para dançar. Isso de dançar agarradinho è coisa de brasileiro, bolivianos e bolivianas dançam muito respeitosamente a alguns centímetros de distancia.
Chamei uma boliviana para dançar e ela se espantou.. Risos, jà náo sei dançar, ainda mais separado assim. Daì tomei mais umas com o amigo Peruano, ele me contou mais dos casos da sua vida de 19 anos, do pai que è narcotraficante no Peru e qu està preso desde que ele tinha 12 anos, da máe que morreu aos 13, da criaçáo com a avó, da entrada no mundo do crime, do refugio ao qual se encontra escondido nessa longingua terra da Bolivia, da filian que nasceu a dois anos no Peru, da vontade de regresar, das suas esperanças.
Depois disso me fui para o hotel, quando deitei na cama constatei que estava embriagado, escutei um som no outro quarteiráo, levantei e me fui atè o som, era uma discoteca, que por sinal estava muito cheia, entrei e fiquei 15 minutos saì e fui dormir definitivamente.
Acordei com uma resaca violenta, havia misturado cerveja, pinga e um wiski bem barato argentino. Fui a um mercado ao lado do hotel e comprei uma agua, tomei e dormi mais 2 horas atè ser acordado pelo amigo Peruano as 11h.. Estava completamente destruìdo. Tomei mais uns 3 litros dàgua, e alèm da resaca tive que aguantar a fome, pois levei cerca de 120 bolivianos no total, cerca de 35 reais para gastar na viagem toda a Beni, como gastei mais do que podia com Alcohol, o dinheiro da comida do domingo náo tinha.. Eu tinha apenas 50 reais de reserva para caso se pasase algo, porèm como era domingo, náo havia cambista e o ùnico que encontrei sò cambiava dólar e náo real.. Resultado foi que meu almoço foi àgua com 4 CUÑAPÈS, o nosso tradicional páo de queijo..
Ficamos eu e o amigo Peruano a tarde toda na praça, conversando, em silëncio por longo tempo, andando, foi o dia de sentir o domingo de Trinidad.
As motos que nunca param náo param mesmo, no domingo è dia de todo mundo ficar rodando a cidade e contornando a praça com suas motos, quadriciclos e etc.. Os rapazes paquerando as moças no tränsito, muitos pasma a tarde inteira andando de moto, gasolina é muito barato, mais ou menos 1,50 o litro.
Quando foi as 19h descobri que morava um brasileiro perto da praça e aì consegui cambiar os 50 reais, estava varado de fome, comi e aluguei uma moto e ficamos uma hora rodando a cidade toda, conhecendo os cantóes mais de trinidad e me despedindo..

Em seguida, termino de contar a historia de trinidad, e da Bolivia, cheguei no Paraguai, completei ontem 1 semana de viagem e quase 5 mil KMs rodados…

Em breve o fim da història da Bolivia, a historia da fronteira, e a caminhada aquí pelo Paraguai que tem sido Miraculosa!!!

Abrazos y Besos
Diogo


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que conto longo...

bom, daí eu e o amigo peruano rodamos mais ainda pela cidade, foi uma experiência e tanto conhecer a cidade, seus cantos, seus habitos e etc.. mais uma face da diversa bolìvia!
com as fotos entenderáo melhor pq é a cidade das motos que náo sabiam parar.

Quanto a questáo política, vi que apesar dos governantes e latinfudiários do estado de Beni serem contra Evo e o processo de mudança em curso no país desde 2005, o povo mesmo apoia as transformaçóes simbolizadas pelo primeiro indigena a ser eleito presidente.
Evo é a pròpria representaçáo do povo.
80% da populaçáo da Bolìvia è Indigena, sendo 60% da popualaçáo indigenas originarios, que vivem no solo boliviano desde antes dos espanhois chegarem por aí. Apenas 15% da popualaçáo da Bolivia sáo descendentes de Espanhois e mestiços.

É isso, foi uma grande experiëncia conhecer Trinidad.
Abrazos,
Diogo

4 comentários:

Mila disse...

Diogo e suas motos enigmáticas!
Besos!

aline disse...

Diogo,
só de estar acompanhando sua viagem através de seus resumos já dá até vontade de colocar a mochila nas costas e fazer o mesmo . . . deve estar sendo uma experiência única . . . que tudo continue ocorrendo bem . . . bjsss

Cindy Michelle disse...

quero ver a foto da velhinha!!! e do sol nascendo!! e quero saber o resto da história! e quero sabe dos sonhos!!

espero o próximo capítulo, pq essa "novela" eu acompanho! \o/

Luana disse...

mas quem disse que Brasilia existe jejejeje broma eh! puedo imaginar vos diciendo Brasilia y la gente preguntando pero donde en Brasil jajajaja que macana che!

bah to vendo que vou andar de motito aiaiaia
cuidate cabrón!

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