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"As veias da América Latina continuam abertas"

Como atualmente sigo lendo des de Montevideo o maravilhoso livro Veias Abertas da América Latina, livro de 1971 do Uruguaio Eduardo Galeano que escancara a história de exploração do nosso continente latino-americano nos dando novos olhos para entendermos a história e o presente da exploração dos nossos povos, compartilho abaixo entrevista concedida pelo Galeano ao jornal El País.. Recomendo a leitura da reportagem abaixo e assim que puderes a leitura do magnífico livro!!
Beijos - Diogo





"As veias da América Latina continuam abertas"

"O que eu descrevia continua sendo certo. O sistema internacional de poder faz com que a riqueza siga sendo alimentada pela pobreza alheia. Sim, as veias da América Latina ainda seguem abertas", diz Eduardo Galeano em reportagem publicada no jornal espahol El País. O escritor uruguaio recebeu semana passada, em Madri, a Medalha de Ouro do Círculo de Belas Artes. Na reportagem, ele conta que seu mestre, Juan Carlos Onetti disse-lhe algo que não esqueceu: "As únicas palavras dignas de existir são aquelas melhores que o silêncio".

Com cabeça de senador romano e consciência de tribuno da plebe, Eduardo Galeano sempre tem presente uma frase de José Martí: "Todas as glórias do mundo cabem em um grão de milho". Ele diz isso porque, na semana passada, deram-lhe, em Madri, a Medalha de Ouro do Círculo de Belas Artes. "É uma alegria, claro. Não pratico falsa humildade, mas também não me esqueço de Martí e digo a mim mesmo: ei, tranquilo, devagar pelas pedras". No dia seguinte, além disso, recebeu um prêmio da ONG Save the Children.

A reportagem é de Javier Rodríguez Marcos, publicada no jornal espanhol El País, 06-10-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto, para o IHU (Instituto Humanitas Unisinos).

Aos 69 anos, o escritor uruguaio é uma pedra no sapato dos vencedores da história, uma espécie de best-seller furtivo da esquerda. No ano passado, durante o tour espanhol de apresentação de seu último livro, "Espelhos. Uma história quase universal" (L&PM Editores, 2008), ele lotou cada salão de atos em que pisou, chegando inclusive a transbordar o Auditório de Galícia, em Santiago de Compostela, com capacidade para mil pessoas. No próximo dia 14, ele encerrará esta nova visita à Espanha com uma leitura de sua obra no Auditório Marcelino Camacho de Comisiones Obreras, em Madri.

Galeano conseguiu levantar paixões com livros sem gênero preciso, mas escritos com um estilo fragmentário e seco que ele opõe à "tradição retórico do peito estufado. Aprendi a desfrutar dizendo mais com menos", diz, em seu hotel madrileno de sempre, a um passo da Puerta del Sol. Ali, ele conta que seu mestre, Juan Carlos Onetti, "que não dava conselhos", disse-lhe algo que não esqueceu: "Como ele era bastante mentiroso, para dar prestígio a suas palavras, ele costumava dizer que eram provérbios chineses. Um dia me soltou: 'As únicas palavras dignas de existir são aquelas melhores do que o silêncio".

O autor de "Dias e noites de amor e de guerra" (L&PM Editores, 2001), briga há anos contra o silêncio. Agora, luta também contra o medo. Mais do que as eleições presidenciais que ocorrem no Uruguai no dia 25 de outubro, interessam-lhe os dois plebiscitos que ocorrerão nesse dia. Um pretende derrogar a lei que impede o castigo contra os militares da ditadura: "O Estado não pode renunciar a fazer justiça porque a impunidade estimula o delito". Há 20 anos, foi realizado um referendo com o mesmo objetivo. E com um resultado ruim. "Lançaram toneladas de bombas de medo", conta o escritor. "Dizia-se que, se a lei fosse anulada, a violência voltaria, e as pessoas votaram assustadas".

Aquele primeiro plebiscito dos anos 80 foi promovido por uma comissão, na qual, junto com Galeano, estava Mario Benedetti. Desde a morte deste, em maio passado, seu amigo faz parte da fundação que herdou o legado do poeta para promover a literatura jovem: "Era um insólito caso de escritor generoso. O nosso grupo é uma agremiação egoísta que ocupa a jaula dos pavões reais. A cada um dói o êxito do outro. Ao Mario não". Com relação às reclamações do irmão de Benedetti, incomodado com o testamento, Galeano é diplomático: "Isso está superado. Ninguém se salva das confusões de herança".

O dinheiro misturado com as confusões leva inevitavelmente ao futebol, um assunto ao qual o escritor dedicou centenas de páginas, dentre elas as que formam um clássico da literatura desportiva: "Futebol ao sol e à sombra" (L&PM Editores, 2004). É obsceno pagar milhões de euros por um jogador? "O futebol profissional é a indústria de entretenimento mais importante do mundo. Além do mais, é um esporte que parece religião: a religião de todos os ateus. O que é preciso ter claro é que o Machado dizia: agora, qualquer ignorante confunde valor e preço".

Por outro lado, no anedotário diplomático internacional ficou gravado o fato de que Hugo Chávez presenteasse Obama com o livro mais popular (30 edições em inglês) do autor montevideano, "As veias abertas da América Latina" (Ed. Paz e Terra, 2007, na 46ª edição em português), um ensaio de 1971 que seu próprio autor descreve como "uma contra-história econômica e política com fins de divulgação de dados desconhecidos". E acrescenta: "O que eu descrevia continua sendo certo. O sistema internacional de poder faz com que a riqueza siga sendo alimentada pela pobreza alheia. Sim, as veias da América Latina ainda seguem abertas".

Galeano não acredita que presidente dos Estados Unidos tenha lido o livro. "Duvido. Foi só um gesto. Além disso, a edição era em espanhol". A eleição de Obama pareceu-lhe uma vitória contra o racismo, mas lhe decepcionou que ele aumentou o orçamento da Defesa: "Os políticos mais bem intencionados acabam presos a uma maquinaria que os devora". E o que lhe parece sua política para com a América Latina? "Ele tem boas intenções, mas há problema de treinamento. Os norte-americanos estão há um século e meio fabricando ditaduras, e, na hora de se entender com países democráticos, eles têm dificuldades. O desconcerto diante do que ocorreu em Honduras é uma amostra".

O segundo plebiscito que espera o escritor ao voltar para casa quer outorgar o voto aos uruguaios que não vivem ali, "uma quinta parte da população!". Ele mesmo teve que se exilar e sabe o que é sobreviver sem direitos: "Não tinha documentos, porque a ditadura os negava. Quando eu vivia em Barcelona, tinha que ir à polícia todos os meses. Faziam-me repetir os formulários e mudar cem vezes de guichê. No final, no campo da profissão, eu colocava: 'escritor'. E entre parênteses: 'de formulários'". Ninguém se deu conta.

Montevideo

Uruguay,
Depois de 3 dias de viagem, 3 viagens de önibus, 1 de trem do Norte Argentino atè Concordia, e uma pequenininha de barco de Concordia no lado Argentino atè Salto, cidade Uruguaya, eis que cheguei a capital do Uruguay, Motevideo, vindo da capital do Paraguai Assunçáo.

Depois do problema na fronteira do Uruguay com a Argentina, fui dispensado pela policia às 17:00h e sairia önibus de Salto, rumo a Montevideo às 17:30h e às 23:30h, preferi pegar o de 23:30h para economizar com hotel e dormir no önibus, cheguei a Montevideo às 05:23 da manhá, caminhei por mais de uma hora pelo centro da capital em busca de um hotelzinho mais barato, náo encontrava nada, num determinado momento um taxista me disse, vá caminando umas 10 quadras e vai encontrar a avenidade uruguaya e alì vai encontrar alojamientos mais baratos. Quando eu chegava nessa avenida perguntei a um senhor que distribuia um pequeno papelzinho de anuncio de motel e ele me disse que eu náo deveria ir caminando atè a Avenida Uruguaya por ser muito perigosa ainda mais a noite, aí eu disse, mas daqui a pouco vai amanhecer, ele disse, eu náo iria, te aconselho a náo ir, è muito perigoso, daì eu decidi ir com muita precauçáo imaginando que os ladróes 06 horas da manha jà estavam dormindo, e nisso que fui caminhando dois jovens na minha frente se separam, um ficou de um lado da rua e outro nas outra calçada, e eu caminhando no meio, daì desconfiei e tomei outra rua, os dois pararam na esquina e conversaram com outro jovem. Voltei o caminho e sentei por uns 10 minutos em uma praça atè voltar a caminhar de novo rumo a tal avenida por outro caminho.

Daì segui caminhando procurando hosteis e alojamentos, foram quase 2 horas de caminhada pelo centro com a mochilona pesada nas costas atè encontrar um hotel por 25 reais, cidade danada de difícil de encontrar hoteizinhos baratos, hoje procurarei um mais humilde de 15 reais, minha faixa etària de alojamentos e mudarei amanhá, o bom de ter viajar de manhá e chegar pela manhá è isso, vocë ganha mais de um dia em que náo paga o hotel, mas cegar de madrugada ou muito tarde da noite è sempre complicado e perigoso, pois vocë náo sabe nada sobre o lugar que està chegando..

Daì dormi das 07 da manha as 11h, acordei num frio danado, as TVs daqui, da Bolivia e Paraguai informam sempre no canto dos canais a hora e a temperatura, 11:11h da manhá, 09 Graus de temperatura..
O lugar frio meu deus do céu, como esse povo vive num lugar táo frio.. risosss! ( o mesmo deve pensar o povo daqui sobre nosso calor )
Desde cedo estou caminhando pelas ruas da cidade, assim como da Bolivia pro Paraguai muda tudo radicalmente, do Paraguai para o Uruguay mudou tudo radicalmente, a cor da pele das pessoas, o Uruguay è um paìs Branco, praticamente náo vi ainda um só negro por aquí, um país frio, a avenida principal parece um pouco a Avenida Paulista de Sáo Paulo e as ruas e tudo mais parecem um paìs Europeu, arvores sem folhas formam um belo cenàrio de frio.

O español falado aquí é mais similar ao español Argentino, penei muito no Paraguai pois o Español falado no Paraguai é muito misturado ao Guarani, 80% da populaçáo do Paraguai è Guarani Falante, daì desde quando cheguei là e o tempo que passei tive muita dificuldade de entender o español deles, e eles tambèm de entender meu español. Os espanhois mudam muito de paìs para paìs, logo que cruzei a fronteira do Paraguai com a Argentina foi um alívio, voltaram a me entender e eu voltei a entender plenamente o que falavam. Do Paraguai conto as històrias em um capìtulo a parte em breve.

Penso em ficar uns dois dias aquí sentindo Montevideo e ir a Colonia, uma cidade que todos os Uruguayos que cruzei pelo caminho me indicaram. Dalì sigo para Buenos Aires, onde chego possivelmente na sexta-feira, para passar algumas semanas antes de pegar a estrada novamente, descansar, estudar e recarregar as baterias.

Imagreci bastante por causa do ritmo da viagem e da pròpria culinària de cada paìs, na Bolivia sò se come Arroz, Batata e Frango, no Paraguai tambèm isso e Empanadas e Hamburguesas como na Bolivia, aquí no Uruguay tambèm muita hamburguesa, náo aguento mais hamburguesas, que saudade do Arroz e Feijáo Brasileiro, feijáo è coisa rara nos paìses vizinhos ao Brasil. Daì junta-se os habitos alimentares diferentes, às longas caminhadas, as diversas noites dormidas em önibus e trem, junta tudo, uma viagem dessa è um bom regime para quem quer perder uns pesos..
Da saìda de Brasilia no dia 18 atè chegar aquí em Montevideo hoje dia 01 de Setembro foram quase 7 Mil KMs percorridos, num è mole naum, mais è pura intensidade de diversidade, cada fronteira que se cruza è como um Portal ao qual depois de cruzada vocë è transportado para outra realidade totalmente diferente, outros veìculos, outros hábitos culturais, outras formas de enchergar o mundo, outros desmenbramentos miraculosos da espècie humana. Realidades sempre muito distintas apesar da homogeneidade cultural que propóe a globalizaçáo do capitalismo.

Estou terminando a leitura do ªPrimeras Estoriasª do velho Rosa, as palavras alì contidas repletas de sensibilidade ajudaram a preparar meu espìrito, hoje estou comprando o RAYUELA, Jogo de Amarelinha, de JULIO CORTAZA, um dos maiores escritores Argentinos, um clàssico que a muito tempo queria ler, uma preparaçáo para a caminhada entre los hermanos Argentinos!

Mais do Uruguay e vamos cruzar mais um rio, mais uma fronteira rumo ao Enigma Buenos Aires!

Besitos y abracitos,
Diogo