Saramago: "Bíblia tem coisas admiráveis"




A Bíblia "tem coisas admiráveis do ponto de vista literário" e "muita coisa que vale a pena ler", disse esta quarta-feira José Saramago, em resposta a críticas de que foi alvo devido ao seu último livro, "Caim". O Prémio Nobel citou o livro dos Salmos, "com páginas belíssimas", o Cântico dos Cânticos, ou a parábola do semeador contada por Jesus. Mas Saramago reafirmou que "na Bíblia há incestos, violência de todo o tipo, carnificinas, etc. É uma verdade inquestionável". 


"Todo este alvoroço não se levantou por causa do livro", disse Saramago, "mas por causa de palavras que eu disse em Penafiel." O escritor criticou a Igreja, que, na sua opinião, "reagiu de forma algo disparatada. Aquilo que eles querem e não conseguem seria colocar ao lado de cada leitor da Bíblia um teólogo que lhes diga que aquilo não é bem assim. O sentido que tem não convém e por isso arranja-se um outro sentido. Mas eu leio apenas aquilo que lá está". 

Referindo-se ao seu último romance, Saramago disse que ele não teria existido "se o episódio de Caim e Abel não estivesse na Bíblia onde mostra a crueldade de Deus. Um Deus rancoroso, vingativo e má pessoa. Não há que ter confiança no Deus da Bíblia".
Assumindo-se como ateu - "que já é um acto de sensatez" - o escritor ressalvou que "não há ateus absolutos" e que muitos dos valores que interiorizou ao longo da vida "são cristãos".
"Há pessoas que dizem que tenho coragem. Não sou cobarde, mas a segunda razão forte para ter escrito é que já não há fogueiras [da Inquisição]", admitiu. 

Perguntado se num próximo livro iria falar do Corão, Saramago respondeu que "Não tenho a intenção de abordar o Corão, tenho mais que fazer, estou a escrever outro livro que não será tão polémico como este". 

Depois do lançamento em Penafiel, "Caim" vai ter outro em Lisboa, previsto para dia 30 de Outubro, às 18h30, na Culturgest, com a presença do autor na sessão de entrada livre. 

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Fonte: Esquerda.Net







Saramago quer 'Caim' livro em vez de um caso político
por JOÃO CÉU E SILVA


O Nobel gostaria que o livro fosse mais lido em Portugal e menos criticado por quem ainda não o fez. Zeferino Coelho anunciou negociações de direitos que garantem uma grande difusão mundial.

Caim pode ser a continuação do tema tratado no Evangelho segundo Jesus Cristo, mas José Saramago não quer o novo livro politiza-do. Quando ontem o questionaram sobre o que pensava das declarações do eurodeputado do PSD, Mário David, o Nobel da Literatura só abriu a boca para comentar: "Nada a dizer." 

Nem comentou a declaração da também eurodeputada do PS Edite Estrela, em que acusava o social-democrata de ter uma "atitude inquisitorial" ao criticar o escritor pelas suas posições contra a Bíblia (ler caixa). A razão é simples, Saramago quer que Caim seja a sua opinião sobre o Antigo Testamento, tal como o Evangelho foi sobre o Novo Testamento, e visto como um trabalho literário em vez de palco de arengas político-religiosas. 

Curiosamente, depois das invectivas proferidas em Penafiel, o escritor encaminhava as suas declarações, sempre que possível, para o seu Caim, enquanto a Bíblia só aparecia quando necessária. 

Nem mesmo quando jornalistas de vários países o questionaram, no auditório do Grupo LeYa, sobre a polémica, Saramago quis levar a sua opinião para territórios menos sólidos. Podiam ser o jornalista suíço, espanhol ou francês, as três televisões nacionais em directo e a CNN ou os profissionais mais entendidos em questões religiosas a crivá-lo de perguntas, José Saramago não abandonava a tese de que Caim é um livro e que ninguém fala dele com esse estatuto; que da Bíblia ninguém pode ignorar a sua crueldade e carnificina e que todos sabem que é assim. 


Surpreendentemente, o mais polémico dos escritores portugueses resistia a deixas fáceis e criticava quem as tem: "Há qualquer coisa estranha. As pessoas são incapazes de controlar os seus impulsos." Tudo isto porque foram para ele inesperadas as "reacções dos católicos porque eles não lêem a Bíblia".


Saramago compreende essa faceta dos católicos, porque "ninguém vai ler a Bíblia por devoção", principalmente o Antigo Testamento. Considerou--se pouco ingénuo, mesmo quando muitos dos que o criticam, entre eles D. Manuel Clemente, assim o referem. "Dizem que li a Bíblia com ingenuidade porque é necessário fazer uma interpretação simbólica, ou seja, aquilo que ali está escrito não tem sentido por si. E levou mil anos a ser escrito!"
Saramago esclarece que não escolheu Caim em vez de Abel por acaso: "É que ele acompanha-me há muitos anos. Li o Livro de Job, o Cântico dos Cânticos, o Livro dos Salmos, mas Caim sempre me foi estranho por Deus ter aceite um sacrifício que nenhum teólogo pode explicar." Tal como não compreende porque é que Deus, "que criou a humanidade, a mata mais tarde com o dilúvio". 


Saramago considera que a conclusão a tirar desta polémica é apenas uma: "Na Igreja ninguém toca." Contrapõe: "Isso é o que pensa a Igreja!" Continua: "O Deus da Bíblia não é de fiar"; a "Bíblia é um rosário de incongruências"; a "Bíblia é um livro sagrado e nenhum dos meus o é"; a Bíblia "não é uma invenção minha"...


No final, Saramago acabou por confessar os seus votos perante esta crise nacional provocada por Caim: "Desejava que os ventos acalmassem e que o livro possa ser uma obra literária" e que a contestação religiosa não se transforme "em insulto ao autor". Não se ficou por aí ao expor a sua situação perante a religião: "Eu sou ateu mas capaz de ser sensato"; "Só o ser ateu é uma mostra de sensatez"; "Não há ateus absolutos porque não existem sociedades onde Deus não tivesse entrado. Posso rejeitar mas está cá e não posso apagar Deus ao dizer que não existe."


Antes de dar por encerrado o encontro com a imprensa ainda fez uma revelação: "Há pessoas que dizem que tenho coragem. Não sou cobarde, mas a segunda razão forte para ter escrito é que já não há fogueiras da Inquisição." Não se despediu sem recordar que outros escritores antes se inspiraram nos textos bíblicos: Thomas Mann e Byron.
 
Outros links:

Mensagem de Honduras - Entenda o Golpe



"Preferimos morrer de pé do que viver de joelhos. Resistir é vencer"


Neste artigo realiza-se uma análise detalhada da atualidade de Honduras e do poder que têm os golpistas e os empresários que sustentam o regime de facto.

Frente al golpe, la misión es multiplicar la resistencia


Escrito por: Ricardo Arturo Salgado 
Tradução: Diogo Ramalho

Apesar de estar claro há muito tempo que os golpistas são enganadores de grande vôo, a gente crê na opção do diálogo como uma via para acertar as contas de uma crise que já impactou todas as esferas da sociedade hondurenha, e o que conhecíamos como “vida normal” deixou de existir.

Muitos vêem com entusiasmo o avanço do que consideram encenações dos golpistas das quais o presidente se mostra benévolo e ingênuo. Dar tempo aos golpistas é cair na sua armadilha, afirmam com muita convicção e impaciência companheiros que amadureceram na resistência das manifestações e repressões.

Não quero cair em conformismo nem ingenuidade, porém acredito que o presidente Zelaya entende a natureza da gravidade da situação; em Honduras não se enfrentam duas forças equilibradas, nem os número sobre as forças armadas são os mesmos conhecidos antes do golpe. Por isso um passo em falso pode ser catastrófico e desembocar uma tragédia para o povo hondureño.

Vale a pena que nos coloquemos a pensar um pouco sobre alguns aspectos gerais que devem ser levados em conta para analizar a situação no campo das ações. O primeiro é a capacidade de mobilização que as forças armadas tem demonstrado por mais de 100 dias. Se está certo que a resistência tem prolongado suas ações heróicas por este período de tempo, também é certo que devemos avaliar essa capacidade e disposição dos militares.

A quantidade de efetivo, armamento, combustível, alimentos; o custo de armamentos modernos ( o “canhão de dor” foi estreiado pelos gringos no Iraque a menos de dois anos ). Também deve chamar a atenção a ferocidade com que reprimem, que mais parece ter saído de um livro de terror. A brutalidade parece vir de algo mais intenso que o ódio mesmo. Sem lugar para dúvidas existe algo que devemos descobrir e ver com a objetividade que requer o caso.

Fixemos-nos nas coisas que parecem parte do quebra cabeça macabro com as peças: Jorge Canahuati Larach é dono do Jornal La Prensa, Laboratórios Finlay, e se dedica também ao tráfico de armas; Carlos Flores Facussé, dono do Jornal La Tribuna e do Partido Liberal de Honduras (desconhecemos sua participação em outros negócios); Ricardo Maduro Joest, representante do capital salvadorenho em nosso país, com vínculos com meios de comunicação, bancos, imobiliárias e outros interesses em Honduras e América Central. Somamos a outros ilustres cavalheiros, Elias Asfura, com interesses nos setores farmacêuticos e de comunicações; José Rafael Ferrari, chefe da máfia dos meios de comunicação e de desinformação, conectado com o setor bancário, seguradoras e outros; Camilo Atala, banqueiro ex-assessor financeiro de Maduro Joest no seu período presidencial.

Estamos aqui na presença dos representantes mais importantes do capital transnacional no país. As conexões financeiras e de negócios destes tipos com as burguesias continentais são múltiplas. Esta mesma burguesia que vê ameaçado seus interesses em todos os países do continente aonde agora se promovem mudanças populares importantes.

É difícil concluir que esta conspiração se formou sem a participação de todo esse poder e seus recursos. Pelo contrário, fica claro que o desafio constante de Micheletti e seus comparsas perante o mundo, estão respaldados por esse “governo” privado que funciona em paralelo aos estados legítimos da América Latina e que conspiram e bombardeiam diariamente aos governos populares em nossa região.

No caso do combustível, as transnacionais vêm perdendo terreno em todos os países ricos em este recurso, por não ter incoveniente em dar seu decidido apoio ao que perfeitamente pode converter-se em um modus operandi em todo o hemisfério.

Acontece que o Pentágono, controlado por gaviões, representantes dos interesses petroleiros e farmacêuticos, tem funcionado unicamente como coordenador de uma iniciativa mais ampla surgida da direita que não está em posição de ceder um passo de terreno.

Agora sim, podemos explicar a arrogância e capaciadade demonstrada pelo regime de facto; sua impertinência desafiante frante a comunidade internacional; seu total desinteresse em respeitar aos direitos humanos ou a liberdade de expressão, sua capacidade de mobilizar recursos para modelar a opinião pública mundial; sua habilidade para encontrar as pessoas e instituições ideais para levar adiante seu plano.

Aqui podemos também explicar porque, dês do principio, os Estados Unidos moveram Oscar Arias para que este metesse no mesmo saco aos criminosos golpistas com as autoridades legitimas do país. Dês do principio, de forma velada, reconheceram o golpe e o regime resultante dele. A OEA desde então inclinou-se mais para o pacto de San José, que por executar as resoluções próprias de final de junho aonde se exigiam a restituição imediata e incondicional do presidente Zelaya.

A ONU também tem propagado este famoso pacto, ignorando sua resolução de 30 de junho, que contempla as mesmas exigências que a OEA. O mesmo governo gringo evitou a responsabilidade de declarar os eventos do 28 de junho como um golpe militar, apesar do porta voz da policia hondurenha admitir.

Por outro lado, é interessante ver como jornalistas extrangeiros de agências como AFP, AP, Reuters, Notimes, e outras, apesar de presenciar as ações cotidianas de repressão, publicam notas complementamente distorcidas da realidade que estão testemunhando. É possível que suas notas sejam escritas pelos editores dos respectivos meios de comunicação. O fato é que existe uma percepção mundial de que aqui o que temos é um encontro de dois grupos de igual condição, fanatismo, e periculosidade. A nós nos chamam de zelayistas. Vejo que este termo não saí das estéreis mentes de Rodrigo Wong Arévalo, Renato Alvarez o Armando Villanueva, vêm dos profissionais da desinformação contratados pela CEAL (Conselho de Empresas de América Latina).

É também interessante como a SIP se mostra tímida e intolerante com o fechamento dos meios de comunicação e a repressão a jornalistas, quando todos temos visto a ferocidade com que atacam a outros governos da área por ações muito mais soberanas.

Em conclusão, este golpe de estado não foi obra de um grupo isolado de oligarcas hondurenhos; eles são os autores materiais; para encontrar os autores intelectuais tem que seguir a pista do dinheiro. Em Honduras se faz uma luta de interesses muito forte com uma direita decidida a tudo, e um povo latinoamericano obrigado a resistir e partir para a ofensiva.

Ao regime facista só podemos derrubar se o atacarmos continuamente por dentro, e exercermos suficiente pressão sobre a comunidade internacional para que tenha um papel decisivo em este caso. É importante manter e aumentar a quantidade de denúncias. Temos que encontrar uma maneira para que se saiba a verdade; que seja esta verdade que faça com que os povos pressionem a seus governos a serem mais determinantes em suas ações.

É importante, quando falamos de participação internacional, não confundir pressão com intervenção militar. A direita aposta em esta intervenção militar. As experiências anteriores demonstraram que as forças “libertadoras” se convertem rapidamente em forças de ocupação, que culminavam na tarefa repressora não concluída pelo exercito local.

A opção mais conveniente para a pressão internacional para nosso povo é um bloqueio comercial, financeiro que feche toda possibilidade de acesso a recursos e equipamentos para os fascistas. O bloqueio comercial representaria sem sombra de dúvidas um impacto demolidor para o regime. Hoje, por exemplo, todos os dias, especialmente pelas noites, há atividades de aviões de carga nos aeroportos de Honduras. Os golpistas se preparam para resistir, com o bloqueio isto cessaria.

Isso não quer dizer que devemos deixar a outros a tarefa histórica que nos corresponde somente a nós. Devemos empreender ações diversas, não violentas, para expressar nossa descontentação. Recordar a todos que não há nenhum momento em que esquecemos dos crimes que temos sido vitimas. Se vamos boicotar as eleições devemos começar a trabalhar na resistência permanente já. Esse é o chamado do presidente Zelaya, pronunciado a noite.

O presidente constitucional e legítimo entende todas as variáveis que afetam a complexa situação hondurenha. Nós devemos integrar-nos com entusiasmo, valor, disciplina e criatividade à resistência. Devemos deixar para traz divisões provocadas por interesses da oligarquia e passar a assumir nossa posição como o “povo de Morazán”.

Seguimos firmes a diante, até a vitória. Não devemos deixar que nos desmoralizem a campanha dos assassinos!

Somos mais que eles, muitos, muitos, somos um grande povo que não se deixa enganar. Nem a açõa dos traidores deterá nossa marcha inexorável.

Até a vitória sempre!




Retirado de: Resumen Latinoamericano 
Tradução de Diogo Raimundo Ramalho - Estudante da graduação em Letras Espanhol da Universidade de Brasília.


O Meu Menino Jesus


Para complementar a última postagem sobre a entrevista do Saramago e suas declarações no lançamento da sua nova polêmica obra "Caim", segue abaixo o poema do sábio heterônimo de Fernando Pessoa - Alberto Caeiro, descrevendo o seu Menino Jesus, "Humano, tão Humano que Divino", completamente diferente daquele Cristo "eternamente pregado lá na cruz, que sequer pudera ter pai",  filho de um Deus vingativo e demasiado reprodutor das mazelas humanas, "um velho estúpido e doente, sempre a escarrar para o chão, e a dizer indecências".
O meu Menino Jesus é esse aí também, que Alberto Caeiro, um dos mais sábios dos heterônimos, tão genialmente e com tanta sensibilidade o revelou:

Poema do Menino Jesus
Alberto Caeiro
Fernando Pessoa


Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o Sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
"Se é que ele as criou, do que duvido." -
"Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontado.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos dos muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?

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Baum né? Meu poema de cabeceira! Adoro recitá-lo! Abaixo Maria Bethania recitando-o!
beijus,
Diogo






“O filho de José e Maria nasceu como todos os filhos dos homens, sujo do sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio. Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo.” - José Saramago: O Evangelho segundo Jesus Cristo

Saramago: "Lê a Bíblia e perde a fé"



José Saramago afirmou este domingo, em Penafiel, que "a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana". O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, Padre Manuel Morujão, classificou as declarações de José Saramago como uma "operação de publicidade" e considerou que não fica bem a um Prémio Nobel entrar em tom de "ofensa".
"Sobre o livro sagrado, eu costumo dizer: lê a Bíblia e perde a fé!", disse o escritor, numa entrevista concedida à Lusa, a propósito do lançamento mundial do seu novo livro, intitulado "Caim", que ocorreu domingo naquela cidade. 

"A Bíblia passou mil anos, dezenas de gerações, a ser escrita, mas sempre sob a dominante de um Deus cruel, invejoso e insuportável. É uma loucura!", afirma o Nobel da Literatura de 1998, para quem não existe nada de divino na Bíblia, nem no Corão. 

"O Corão, que foi escrito só em 30 anos, é a mesma coisa. Imaginar que o Corão e a Bíblia são de inspiração divina? Francamente! Como? Que canal de comunicação tinham Maomé ou os redactores da Bíblia com Deus, que lhes dizia ao ouvido o que deviam escrever? É absurdo. Nós somos manipulados e enganados desde que nascemos!" afirmou. 

Saramago sublinhou que "as guerras de religião estão na História, sabemos a tragédia que foram". 


Considerou que as Cruzadas são um crime do Cristianismo, morreram milhares e milhares de pessoas, culpados e inocentes, ao abrigo da palavra de ordem 'Deus o quer', tal como acontece hoje com a Jihad (Guerra Santa). 

Saramago lamenta que todo esse "horror" tenha feito em nome de "um Deus que não existe, nunca ninguém o viu". 

"O teólogo Hans Kung disse sobre isto uma frase que considero definitiva, que as religiões nunca serviram para aproximar os seres humanos uns dos outros. Só isto basta para acabar com isso de Deus", afirmou. 

Salientou ainda que "no Catolicismo os pecados são castigados com o Inferno eterno. Isto é completamente idiota!". 

"Nós, os humanos somos muito mais misericordiosos. Quando alguém comete um delito vai cinco, dez ou 15 anos para a prisão e depois é reintegrado na sociedade, se quer", disse.
"Mas há coisas muito mais idiotas, por exemplo: antes, na criação do Universo, Deus não fez nada. Depois, decidiu criar o Universo, não se sabe porquê, nem para quê. Fê-lo em seis dias, apenas seis dias. Descansou ao sétimo. Até hoje! Nunca mais fez nada! Isto tem algum sentido?", perguntou. 

Para José Saramago, "Deus só existe na nossa cabeça, é o único lugar em que nós podemos confrontar-nos com a ideia de Deus. É isso que tenho feito, na parte que me toca". 

Questionado sobre se tenciona ler "Caim", o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa disse que a nova obra de José Saramago não está entre as suas "prioridades". 

"Não está nas minhas prioridades a leitura desse livro, porque pela apresentação que aparece na Comunicação Social acho que é de alguém que não entende os géneros literários da bíblia", justificou. 

O padre Manuel Morujão adiantou que "a bíblia não tem só livros históricos como tem livros poéticos, livros sapienciais", sendo "evidente que não se vai interpretar poesia com critérios de história e vice-versa".



Abaixo ótima poesia de cordel em homenagem ao Saramago do Poeta Gustavo Dourado, fundador e diretor do Centro Acadêmico de Letras da UnB ao final da década de 70, escritor caminhante dessa vida!

cOrdEl paRa sAaraMAGO
Gustavo Dourado
José de Sousa Saramago
Foi mecânico...serralheiro
Desenhista, funcionário
Comunista timoneiro...
Um ateu que crê na vida:
Romancista, joalheiro...

Mestre José Saramago:
Dramaturgo e Escritor
Poeta e jornalista
Grande realizador...
De Portugal para o Mundo:
Romancista...Criador...

Em Azinhaga, nasceu:
No Ribatejo,Portugal
A 16 de novembro:
Deu-se o ato natal
Em 1922:
Tornou-se um ser real...

Ganhou o Prêmio Nobel
Por sua Literatura...
Prosador experiente
Transmutou a escritura
Buscou a Revolução:
Sem perder sua ternura...

Exerceu o Jornalismo
Ao Pessoa sempre leu
Romanceou o Poeta:
Sua arte bem teceu...
Muitos nele acreditam:
Mesmo sendo ele ateu...

Em 1946:
Publica "Terra do Pecado"
O seu primeiro romance:
Aos 25...foi editado...
Teve início a carreira:
De um escritor consagrado...

"Flor silvestre dos escombros":
Mago da Literatura
Leu Camões, Eça, Vieira
De Machado fez leitura
"Poética dos Cinco Sentidos":
Verve de poesia pura...

Gil Vicente...Fernão Lopes:
Saramago estudou...
Camilo, Almeida Garret
Sempre leu e pesquisou
A boa prosa portuguesa:
Saramago consultou...

"Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido":
O Canto da Ilha Desconhecida
Cadernos de Lanzarote
Nas artimanhas da vida
Ensaios Sobre a Lucidez:
Uma obra destemida...

Manual de Pintura e Caligrafia
Tem boa elaboração
Memorial do Convento
E "Levantado do Chão"
Ensaio Sobre a Cegueira:
Clareia a nossa visão...

O Ano da Morte de Ricardo Reis
E "O Homem Duplicado"
Todos os Nomes...A Caverna:
Tenho sempre consultado...
História do Cerco de Lisboa:
Na estante está guardado...

O Evangelho Segundo Jesus Cristo
Toca o meu coração...
Viagem a Portugal
Desperta-me a criação
Com "A Jangada de Pedra":
Fiz longa navegação...

Fez "Os Poemas Possíveis":
"Provavelmente Alegria"...
"Deste Mundo e do Outro":
Fez da prosa a poesia
"As Opiniões que o D.L teve":
"In Nome Dei"...Fantasia...

Que farei com este Livro?
"Objecto Quase"...Adiante
A Noite...Os Apontamentos:
"A Bagagem do Viajante"...
"A Segunda Vida de Francisco de Assis":
Saramago sempre avante...

"O Ano de 1993":
Saramago empreendeu...
No Partido Comunista
Ele nunca arrefeceu...
Crítico do Capitalismo:
Ao Homem não esqueceu...

Preocupa-se com a Língua:
É firme em sua mensagem
Quer um Mundo bem melhor:
Além da Terceira Margem...
Saramago nos encanta:
Com os mistérios da linguagem...



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Fontes:
Saramago: "Lê a Bíblia e perde a fé" - www.esquerda.net 
Poema Cordel para Saramago - www.gustavodourado.com.br/poesia.htm

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Beijus,
Diogo


Filme - Zeitgeist

Olá,
fim de semana está aí e deixo minha dica para que assista ao filme 5 estrelas, Zeitgeist!


O Zeitgeist é dividido em três partes:
A primeira parte que se chama ( A maior história alguma vez contada ) trata do Cristianismo, trazendo estudos e comprovações que mostram como foram criados muitos dogmas e o próprio Jesus Cristo,  na sua figura mitológica distante do Jesus humano que ele foi ( na minha opinião ). Diversos estudos se entrecruzam fazendo ligações que esclarecem muitas coisas!

A segunda parte se chama (O mundo inteiro é um palco) e está focada nos ataques de 11 de Setembro de 2001. O filme prova (na minha opinião) que o governo dos Estados Unidos, às ordens de Bush filho, planejou e executou os ataques. 

 E a terceira e última parte que se chama  (Não se importe com os homens por detrás da cortina) focaliza-se no Sistema Bancário Mundial, as conspirações do banqueiros, o passado, presente e futuro da sociedade em um mundo sob o controle dos banqueiros.






 
Para baixar o filme completo: http://www.megaupload.com/?d=46XRCM97




Tentando resumir o máximo possível é mais ou menos desses três temas que se trata o filme Zeitgeist. Se prepare para se chocar com verdades nunca lhe ditas!
bjos e abraços,
Diogo


Resp. de Professora às Declarações de Willian Bonner na UnB


 William Bonner na UnB: os cursos de jornalismo não servem para formar jornalistas
*Zélia Leal

Inteligente, bem humorado, sedutor. Difícil não se deixar envolver pelo discurso fascinante de William Bonner, um verdadeiro show man do jornalismo global em palestra para um auditório lotado de estudantes de jornalismo na Universidade de Brasilia, em 5 de outubro. Bonner estava lá para lançar seu livro Jornal Nacional – Modo de Fazer, dentro das atividades do acordo Globo Universidade com a UnB. Os alunos que não puderam entrar, por absoluta falta de espaço, assistiram a palestra no lado de fora, onde foi instalado um telão. Mas podiam interagir enviando perguntas. Tudo ia muito bem, como uma boa aula de jornalismo, até que veio a esperada pergunta sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista, pelo STF.


Para Bonner, o fato de não precisar mais de diploma não muda nada no mercado profissional. Apenas dá às empresas a liberdade de contratar legalmente colaboradores de outras áreas que já atuavam no jornalismo. O que já existia de fato, disse ele. O que também já sabíamos, pois a Globo deixou claro, há muito tempo, que dá as costas para o diploma. William Bonner, por exemplo, não tem. Ele é formado em Publicidade pela USP. Mas garantiu que o fim do diploma não significa que as Organizações Globo vão agora contratar engenheiros para fazer jornalismo. A preferência será reservada aos egressos do curso do jornalismo. Eis o paradoxo. Se as escolas são ruins, se os alunos são mal formados, por que contratar jornalistas?

Até aqui, nenhuma novidade. O que supreendeu o auditório foi o complemento da resposta. Para o apresentador do Jornal Nacional, as escolas de jornalismo não servem para formar jornalistas. Deveriam se preocupar mais com o ensino de Português e História. Para o resto, a universidade serve apenas como experiência de vida. “Jornalismo se aprende no mercado”, disse ele sem medo de errar.


Os cursos de jornalismo não servem nem para ensinar ética profissional e técnicas de redação. Segundo Bonner, ética se aprende na vida, é uma questão de educação. E para aprender técnicas jornalísticas, um semestre é suficiente. O rapaz da mecha branca no cabelo garantiu à plateia deslumbrada: “Em seis meses, eu pego um estudante e faço dele um editor na Globo”. Confessou já ter afirmado, tempos atrás, que transformaria qualquer motorista de táxi em jornalista. Mas mudou de opinião “porque agora valorizo o papel da universidade.”

Bonner defendeu veementemente o ensino de História e de  Português, que “deveriam ser disciplinas obrigatórias e diárias” nos cursos de jornalismo. Admite que, pessoalmente, tem muita dificuldade com a língua materna. Contou que um dia desses teve que pedir ajuda a um amigo americano para escrever a palavra “obsceno”, referindo-se à forma de um biscoito. “Incrível, o americano, com seu forte sotaque, conseguiu esclarecer a questão explicando que era com sc.”

O mais supreendente na fala do simpático William Bonner foi a declaração de que os cursos de jornalismo das universidades públicas estão mais preocupados com a formação de uma ideologia de esquerda do que em formar jornalistas. Seriam cursos “de doutrinamento esquerdista.” E quando se é jovem, quando se tem 20 anos, é dificil divergir dos professsores, disse ele. Não ficou claro se Bonner se referia à USP da época em que estudou, à USP atual, ou a todos os cursos de jornalismo das universidades públicas brasileiras.

Mas alguma coisa de bom deve ter ficado na formação do jornalista.  pois ele abriu a palestra dizendo que doava os direitos autorais de  seu livro à USP. Que devia isso à universidade onde estudou sem pagar nada quando, na época, seu pai poderia ter optado por uma instituição privada.

Imaginem o impacto e a amplitude dessas declarações diante dos alunos que ouvem de nós, professores, exatamente o contrário. Que é preciso estudar política, economia, literatura, ler muito e desenvolver o espírito crítico. As ideias de Bonner, para quem não gosta de estudar, são uma carta branca para a irresponsabilidade. Para quem gosta, para quem escolheu o curso de jornalismo por vocação (no sentido weberiano), que acredita que o jornalista está a serviço da sociedade e não desta ou daquela empresa, fica difícil aceitar uma visão tão redutora apresentada por um dos maiores formadores de opinião do país.
A universidade é acima de tudo um lugar de reflexão e produção de conhecimento. Dezenas de teses e dissertações são realizadas nas universidades todos os anos, sobre as mídias e sobretudo sobre a Globo, a única que realmente faz um “jornal nacional” no país.
Acho louvável a iniciativa da Globo em procurar as escolas para dialogar. Pessoalmente já acompanhei um grupo de alunos à sucursal da Globo em São Paulo e foi uma experiência rica e inesquecível ver como é preparado e apresentado o Jornal Hoje. Fomos muito bem recebidos.

Falo aqui em meu nome. Minha opinião não envolve meus colegas ou a direção da Faculdade. Tenho diploma de jornalista, 20 anos de mercado e 16 de magistério com doutoramento no exterior. Levamos quatro anos para formar um jornalista. Por isso espero mais respeito à universidade onde ensinamos e pesquisamos com recursos públicos. É lamentável pensar que tudo isso não serve para nada.

Zélia Leal Adghirni é jornalista, doutora em Comunicação pela Université de Grénoble III da França e pós-doutora pela Université de Rennes I. É professora da Universidade de Brasília desde 1991. É pesquisadora nas áreas de Jornalismo e Sociedade e Jornalismo online.

retirado de: http://www.unb.br/noticias/unbagencia/artigo.php?id=199 

Lula parabenizando o Presidente OBRAMA pelo Nobel da Paz

E para distraírmos um pouco, nada melhor do que ouvir nosso Presidente depois de ter passado a noite tomando cerveja Brahma e Caipirinha, parabenizar o Oh-Brahma pelo Nobel da Paz, que está em boas mãos e desejar que não se tenha bomba nuclear.
Beijos,
Diogo


Premio Nobel de la Paz a Obama: Premio consuelo




Premio Nobel de la Paz a Obama: Premio consuelo

escrito por Atilio Borón


Aunque Obama aumentó las tropas en Afghanistán, mantiene la invasión sobre Irak y sostiene en criminal bloqueo contra el pueblo cubano, se le otorgó el Premio Nóbel de la Paz

Resumen Latinoamericano/Rebelión - En una insólita decisión el Comité Nóbel de Noruega puso fin a siete meses de búsqueda entre los 205 nominados para el Premio Nóbel de la Paz y se lo confirió a Barack Obama. La decisión del Comité noruego provocó reacciones muy diversas en el sistema internacional: desde el estupor hasta una gigantesca risotada. Las declaraciones del presidente de ese órgano, Thorbjorn Jagland, no tienen desperdicio: “es importante para el Comité reconocer a las personas que están luchando y son idealistas, pero no podemos hacer eso todos los años. De vez en cuando debemos internarnos en el reino de la realpolitik. Al fin de cuentas es siempre una mezcla de idealismo y realpolitik lo que puede cambiar al mundo”. El problema con Obama es que su idealismo se queda en el plano de la retórica, mientras que en el mundo de la realpolitik sus iniciativas no podrían ser más antagónicas con la búsqueda de la paz en este mundo.


Según informa Robert Higgs, un especialista en presupuestos militares del Independent Institute de Oakland, California, la forma como Washington elabora el presupuesto de defensa oculta sistemáticamente su verdadero monto. Al analizar las cifras elevadas al Congreso por George W. Bush para el año fiscal 2007-2008 Higgs concluyó que ellas representaban poco más de la mitad de la cifra que sería efectivamente desembolsada, llegando por eso mismo a superar la barrera, impensable hasta ese entonces, de un billón de dólares. Es decir, de un millón de millones de dólares. Y esto es así porque, según Higgs, a la suma originalmente asignada al Pentágono es preciso sumar los gastos relacionados con la defensa que se ejecutan por fuera del Pentágono, los fondos extraordinarios demandados por las guerras de Irak y Afganistán, los intereses devengados por el endeudamiento en que incurre la Casa Blanca para afrontar estos gastos y los que se originan en la atención médica y psicológica de los 33.000 hombres y mujeres que sufrieron heridas durante las guerras de Estados Unidos y que requieren un abultado presupuesto de la Administración Nacional de Veteranos. Obama no ha hecho absolutamente nada para detener esta infernal máquina de muerte y destrucción, y cuando por boca de su Secretaria de Estado denuncia los “gastos desproporcionados en armamentos” en lugar de ver la viga que tiene en su ojo el blanco de sus críticas es ¡la Venezuela bolivariana!

Obama aumentó el presupuesto para la guerra en Afganistán al paso que contempla incrementar el número de tropas desplegadas en ese país; sus tropas siguen ocupando Irak; no da señales de revisar la decisión de George Bush Jr. de activar la Cuarta Flota; avanza en un tratado todavía secreto con Álvaro Uribe para desplegar siete bases militares norteamericanas en Colombia, y se habla de cinco más que estarían a punto de confirmarse, con lo cual está preparando (o se convierte en cómplice) de una nueva escalada guerrerista en contra de América Latina; mantiene su embajador en Tegucigalpa, cuando prácticamente todos se marcharon, y de ese modo respalda a los golpistas hondureños; mantiene el bloqueo en contra de Cuba y ni se inmuta ante la injusta cárcel de los cinco luchadores antiterroristas encarcelados en Estados Unidos. Claro, el Comité noruego sufre periódicamente algunos desvaríos –no se sabe si ocasionados por su ignorancia de los asuntos mundiales, presiones oportunísticas o las delicias del acquavit noruego-, lo que se traduce en decisiones tan absurdas como la actual. Pero, si en su momento le concedieron el Premio Nóbel de la Paz a Henry Kissinger, correctamente definido por Gore Vidal como el mayor criminal de guerra que anda suelto por el mundo, ¿cómo se lo iban a negar a Obama, sobre todo después del desaire que sufriera a manos de Lula en Kopenhagen? La realpolitik exigía reparar inmediatamente ese error. Porque, al fin y al cabo, como lo declaró el propio presidente de Estados Unidos al enterarse de su premio, éste representa la “reafirmación del liderazgo norteamericano en nombre de las aspiraciones de los pueblos de todas las naciones.” Y, en un súbito ataque de “realismo”, los compañeros del Comité pusieron su granito de arena para fortalecer la declinante hegemonía estadounidense en el sistema internacional


retirado de: http://www.resumenlatinoamericano.org

A CPI do MST e as terras roubadas




Por Mauro Santayana
14/10/2009 - 00:01 Enviado por: Mauro Santayana



La nueva Ley de los Medios aprobada en Argentina


Medios y fines de la comunicación

La democracia dentada
Por Sandra Russo


La ley de medios audiovisuales es muchas cosas además de la herramienta que nos permitirá sumar a las voces que ya conocemos muchísimas otras. No es el control remoto el que nos da libertad. La información no se consume como una cerveza o un champú que se eligen en la góndola del supermercado. La ley tiene más que ver con la oferta de más góndolas conteniendo muchas otras variedades de pensamiento y puntos de vista, que con el zapping tradicional. Ese zapping no es, hoy, un pasaje a la diversidad. Sin ir más lejos, el multimedios más grande ha tachado a Telesur de sus ofertas. No está en la góndola. Los dueños del supermercado han decidido que esos contenidos no serán puestos a consideración del abonado. Si eso lo hiciera un gobierno, sería censura. Si lo hace el sector privado, ¿cómo se llama? La ley de medios es un pasaje al acto democrático de una especie que no hemos conocido. Representa de manera precisa, también y por oposición, qué tipo de democracia tuvimos. Tan apacible. Tan domesticada. Cada parche, cada decreto, cada reforma de la vieja ley de radiodifusión tuvo su correlato de democracia desdentada. El poder se viene concentrando igual que los medios, y su eje es el poder económico. Para ser solamente crítico de un gobierno, como prefiere el rubro del “periodismo independiente”, y como quisieron muchos ejes argumentativos durante el debate, primero hay que lograr que el poder político sea en este país lo suficientemente libre del poder corporativo.


La política que conocemos, de la que nos brotan los prejuicios, la que chorrea clichés y abunda en prácticas horribles fue la que le manejó las riendas a esa democracia amable del bipartidismo por la que ahora vuelve a predicar Eduardo Duhalde. Claro que teníamos un país previsible: se gobernaba para los factores de poder y se acataban los ajustes del FMI. Ningún sobresalto, salvo la pobreza estructural que no salió de la nada, sino del golpe de Estado del ’76 y de la Escuela de Chicago. A la derecha no le importa la pobreza, toda vez que la crea.
Lo que quiero decir está anudado a un sentimiento muy íntimo, pero colectivo. Tiene que ver con una certeza, una predisposición, un ánimo de cambiar las cosas. Muchísimas personas que suelen identificarse con eso vago que se llama progresismo participan de ese sentimiento. Que hay que cambiar las cosas. Que lo que vivimos todos los días está fundado en algo injusto. Que de verdad hay que repartir más, que hay que ponerles límites a los poderes que desde que llegó la democracia le han ido sacando uno por uno los dientes para que sea inofensiva. Hay quienes creemos que la democracia puede ser un sistema regido férreamente por las reglas que fija nuestra Constitución, pero que eso no implica resignar el ansia, el anhelo, el deseo de un cambio. Y un cambio que toque estructuras. Algo que haga que las cosas sean otras. Ese ánimo es el que inspira a los Foros Sociales: “Otro mundo es posible”.

La ley de medios rozó esa zona. La zona erógena de la democracia. La que con tropiezos, alianzas, negociaciones, militancia, bases y voluntad política es capaz de morder un pedazo de torta para ponerla al servicio de todos.

Ya hemos visto y escuchado con creces a los que primero se azoraron y después se excusaron en el “todos queremos una ley de la democracia”. Ninguna ley de la democracia, ni siquiera la de una democracia mansa y domesticada, podría admitir que un solo grupo maneje 240 licencias.

La concentración de medios es combatida en todo el mundo, en estos días, a la luz de saberes que hoy también se han puesto dientes. Fueron las Ciencias de la Comunicación y sus entrecruzamientos con otras disciplinas sociales las que desenmarañaron los mecanismos de control de opinión pública capitalistas. No es casual que desde los medios y la reacción conservadora se siga machacando con el viejo fantasma del Estado que prohíbe expresarse a la oposición. Dan el ejemplo de Venezuela, pero eso no sucede en Venezuela. Los medios privados insultan tanto a Chávez como aquí se insulta a la Presidenta. Eso no está ni estará prohibido. Espero que tampoco esté prohibido reconocerle a la Presidenta, incluso desde el orgullo de género, la entereza y consecuencia con la que llevó adelante lo prometido en la campaña electoral.

Con esta ley, la democracia se vivifica tanto que vuelve a ser una herramienta para cambiar las cosas. Será útil recuperar esas preguntas que quizá quedaron atascadas en muchas biografías: ¿qué queremos que cambie? ¿Cuánto? ¿Para qué? Habrá que tenerlo presente de aquí en más. Porque finalmente de eso se vuelve a tratar todo: de acción y de reacción.




Lecciones de la batalla por los medios
Por Rubén Dri *



La larga y exitosa batalla que dieron los sectores populares y el Gobierno para dar a luz la Ley de Servicios de Comunicación Audiovisual dejó algunas enseñanzas que será bueno tener en cuenta para futuros combates.

- Se construye desde abajo. Una ley de la democracia se construye democráticamente. Nos referimos a una democracia real que hoy se denomina “participativa”, lo cual en principio es redundante, porque si no hay participación no hay democracia. Pero no está de más el adjetivo por cuanto generalmente la democracia se ha vaciado de contenido al ser sólo “representativa”. La democracia necesariamente es representativa, porque la democracia directa como la pensó Rousseau se ha demostrado inviable como él mismo lo sabía, cosa que dejó aclarada en las propuestas que formuló para su aplicación en Córcega y Polonia. Pero si “sólo” es representativa se vacía de contenido. En efecto, la participación del pueblo que debiera ser el verdadero sujeto de la misma se reduce a poner periódicamente un voto en un sobre. Democracia es kratos del demos, es decir, “poder del pueblo”. Este, como sujeto colectivo actuando, debatiendo, decidiendo y proponiendo las leyes, velando por su aplicación, es el que hace que la democracia sea una realidad y no una mera formalidad.

Recurriendo a la figura espacial, la “representación” conformada por los poderes del Estado se encuentra “arriba” y los movimientos sociales, “abajo”. El “arriba” en las democracias puramente representativas tiende a separarse totalmente del “abajo”, transformándose en un cuerpo con intereses propios. Cuando ello sucede, se aprueban leyes que no sólo nada tienen que ver con los intereses populares, sino que los contradicen. Es lo que sucedió en los ’90 cuando se aprobaron las vergonzosas leyes denominadas de “flexibilización laboral”.

La “representación” debe responder a los intereses de los representados, pero para que ello suceda éstos deben actuar, hacer sentir su presencia, construir poder popular, poder que vaya de abajo hacia arriba, debatir, proponer. Las leyes serán favorables al pueblo cuando éste haya tenido verdadera participación en ellas. Es lo que ha sucedido con la Ley de Servicios de Comunicación Audiovisual. Fue producto de un largo proceso de debate en el seno de los sectores populares, radios comunitarias, pueblos originarios, organizaciones sociales y culturales, asambleas barriales, organismos de derechos humanos, Madres y Abuelas de Plaza de Mayo, Serpaj, universidades, organizaciones estudiantiles, agrupaciones políticas, en una palabra, todo el espectro del campo popular. Tras este proceso, el Poder Ejecutivo presentó el proyecto a las cámaras legislativas, es decir, a los “representantes”, para que lo debatiesen y terminasen con la aprobación. La objeción de los grupos opositores en el sentido de que no tuvieron tiempo de discutirlo es, pues, una de las peores mentiras que se pudieran haber formulado. Si no lo debatieron, fue porque no les interesó.

De esta manera, en el proceso de formulación de esta ley se ha hecho realidad la relación dialéctica entre arriba y abajo, representantes y representados, en un proceso de creación de poder popular. Con ello se ha dado un gran paso en la superación de la mera democracia representativa hacia la democracia participativa. Depende ahora, en gran parte, que los sectores populares continúen su lucha por hacer de esta ley una realidad viviente que haga sentir un verdadero concierto de voces con tonalidades diferentes.

- La batalla por el lenguaje. En el paso del Estado feudal al moderno fue esencial la función cumplida por el lenguaje, según lo analiza Hegel en la Fenomenología del espíritu. En el Estado feudal el noble obedece pero mantiene a resguardo su propio juicio. Es el “orgulloso vasallo” cuyo lenguaje es el “consejo” por el bien universal. Se reserva su conciencia particular. Para el paso al Estado moderno fue necesario que el noble vasallo cambiase su lenguaje pasando del consejo al “halago”. El vasallo, que en el anterior Estado ejercía el heroísmo del servicio, dispuesto a jugar su propia vida en el campo del combate, pasa a ejercer ahora el “heroísmo de la adulación”, es decir, se transforma en cortesano dándole el yo o la conciencia al Estado y el poder real al yo, de manera que el monarca pudiera decir “el Estado soy yo”.

En la concepción de Hobbes, los hombres se entregan completamente al Estado que lleva el nombre mitológico de “Leviatán”, ese monstruo marino de poderes asombrosos. Pero ese monstruo es, en realidad, una máquina. Le falta la conciencia, el convertirse realmente en sujeto, transformación que sólo puede realizarse por medio del lenguaje. Esa es la tarea que realizan los nobles al transformar el lenguaje del consejo en el de la adulación. La dialéctica de práctica y conciencia, práctica y lenguaje, atraviesa todas las luchas sociales. El triunfo o la derrota en el ámbito del lenguaje tienen consecuencias profundas para el resultado final de la contienda. El momento del lenguaje, que en el paso del Estado feudal al moderno realizan los nobles, actualmente lo cumplen los grandes medios de comunicación, entre los cuales la radio y la televisión junto con los periódicos cumplen la tarea fundamental.

En la lucha que las patronales agrarias entablaron contra el Gobierno y los sectores populares el año pasado, la primera victoria que consiguieron las patronales fue la del lenguaje. De entrada, mediante el monopolio de los grandes medios de comunicación, lograron instalar la idea de que la lucha era del “campo” contra el Gobierno. El “campo” es un símbolo que mueve a la imaginación a dibujar románticas figuras campestres. El campo es el aire puro, lejos de la contaminación de la ciudad, es el frescor de la brisa, el trinar de los pájaros, el perfume de las flores silvestres. Es el trabajador campesino que se levanta con el sol y con él se acuesta. Es el que proporciona el alimento a toda la población. Es todo eso y mucho más. Siendo así, ¿quién puede estar contra el campo? Media batalla ya está ganada. La superconcentración de tierra y riqueza, la explotación de la peonada, las evasiones, la manera como se adquirieron las tierras, las consecuencias para la salud que acarrean los fumigaciones, las superganancias, todo ello queda oculto bajo el manto del “campo”.

En la batalla aún en curso por los servicios audiovisuales, las cosas se presentaron de la misma manera, pero esta vez el Gobierno y los sectores populares no dieron el brazo a torcer en la cuestión del lenguaje. Es necesario tener en cuenta que los grupos sociales y políticos enfrentados son los mismos que estuvieron en la lucha por la cuestión agraria, y la primera batalla se dio en torno del lenguaje. Los grandes medios que estuvieron en contra de la ley en cuestión siempre la nombraron como “ley K” o “ley mordaza” o “ley de control de medios”. De aceptarse este vocabulario, más de media batalla hubiese estado perdida. Los sectores de la “oposición” tuvieron siempre claridad sobre el problema, decididos a dar la batalla por el lenguaje. Pero esta vez, de parte del Gobierno y de los sectores populares no se cedió. La ley siempre fue designada con el nombre que le corresponde: Ley de Servicios de Comunicación Audiovisual. Esta ley otorga a los sectores populares un excelente instrumento para las futuras batallas culturales. Ya no se escuchará una sola voz que les pone nombre a esas batallas, sino que será un concierto de voces que permitirán a la población contrastar opiniones y hacer su propia evaluación.

* Filósofo, profesor consulto de la UBA - Universidad de Buenos Aires